Notas do tempo

Caixa de sapatos virtual

Chalé da Praça XV

– Quando a mamãe tinha uns 20 anos, ela ia neste chalezinho tomar chopp com os amigos.

Ouvi isto muitas vezes nas nossas visitas à Porto Alegre. Deste jeito, levando-me pela mão para olhar o centro da cidade, minha mãe me contava a história dos prédios, das praças, do barzinho da rua Riachuelo, do restaurante que virou estacionamento. O Chalé, nos anos 90 uma construção esquecida no Largo Glênio Peres, era um destes lugares.

Do jeito dela, transmitia afetos sobre construções de concreto e ruas barulhentas, a partir dos quais eu reconstruía a minha maneira.

Lembro de olhar com curiosidade para a casinha. Lembro de não entender porque alguém se reunia fora de casa para tomar chopp. Lembro de demorar para entender que a minha mãe tinha tido 20 anos um dia.

Na verdade, acho que nunca estamos olhando uma cidade pela primeira vez. O olhar sempre é uma soma de repertórios, nem sempre visuais.

Porto Alegre eram os anos 70 da minha mãe.
Os anos 80 de greves em frente ao Meridional.

Quando voltei à Porto Alegre, morar, o chalé estava restaurado e tinha virado um barzinho. Em frente a ele, o fotógrafo Lambe-Lambe ainda fazia fotos.

Eu, não lembro bem se por vergonha ou por falta de dinheiro, mas fui embora de Porto Alegre sem a minha foto de lambe-lambe.

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Publicado às 9 de maio de 2014 por em Lugar, Porto Alegre e marcado , , , , .